quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Aqui mereço-te

O sabor do pão e da terra 
e uma luva de orvalho na mão ligeira. 
A flor fresca que respira é branca. 
E corto o ar como um pão enquanto caminho entre searas. 
Pertenço em cada movimento a esta terra. 
O meu suor tem o gosto das ervas e das pedras. 
Sorvo o silêncio visível entre as árvores. 
É aqui e agora o dilatado abraço das raízes claras do sono. 
Sob as pálpebras transparentes deste dia 
o ar é o suspiro dos próprios lábios. 
Amar aqui é amar no mar, 
mas com a resistência das paredes da terra

A mão flui liberta tão livre como o olhar.
Aqui posso estar seguro e leve no silêncio
entre calmas formas, matérias densas, raízes lentas,
ao fogo esparso que alastra no horizonte.
No meu corpo acende-se uma pequena lâmpada.
Tudo o que eu disser são os lábios da terra,
o leve martelar das línguas de água,
as feridas da seiva, o estalar das crostas,
o murmúrio do ar e do fogo sobre a terra,
o incessante alimento que percorre o meu corpo.
Aqui no grande olhar eu vejo e anuncio
as claras ervas, as pedras vivas, os pequenos animais,
os alimentos puros,
as espessas e nitritivas paredes do sono,
o teu corpo com todo o vagar da sua massa,
todo o peso das coisas e a ligeireza do ar.

Ao flexível volante trabalhado pelas seivas
a minha mão alia-se: bom dia, horizonte.
Uma saúde nova vai nascer destes ombros.
A lâmpada respira ao ritmo da terra.
Sei os caminhos de água pelas veredas,
as mãos das ervas finas embriagadas de ar,
o silêncio donde se ergue a torre do canto.

Abrem-se os novos lábios e eu mereço-te.
É este reino de insectos e de jogos,
das carícias que sabem a uma sede feliz.
Aqui entre o poço e o muro,
neste pequeno espaço de pedra cai um silêncio antigo:
uma infância inextinguível se alimenta
de uma fábula que renasce em todas as idades.
É aqui, minha filha, que dança a fada do ar
com seu brilho sedoso de erva fina
e a sua abelha silenciosa sobre a fronte.
É aqui o eterno recanto onde a água diz
a pura praia da infância.
Aqui bebe e bebe longamente
o hábito da tristeza no silêncio da vida,
aqui, ó pátria de água calada e de pão doce,
da fundura do tempo, da lonjura permanente,
aqui, bom dia, minha filha.

António Ramos Rosa

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

mais um haiku de Matsuo Basho


gravura de Kunisada
Sol invernal.
Montada en el caballo
mi sombra, helada.

sábado, 30 de novembro de 2013

Matsuo Basho


araumi ya / Sado ni yokotau / Amanogawa
Mar agitado / extiende hasta Sado / La Vía Láctea

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

domingo, 15 de setembro de 2013

Federico García Lorca.....


Noche de Amor Insomne Noche arriba los dos con luna llena, yo me puse a llorar y tú reías. Tu desdén era un dios, las quejas mías momentos y palomas en cadenas. Noche abajo los dos. Cristal de pena, llorabas tu por hondas lejanías sobre tu débil corazón de arena. La aurora nos unió sobre la cama, las bocas puestas sobre el chorro helado de una sangre sin fin que se derrama. Y el sol entro por el balcón cerrado y el coral de la vida abrió su rama sobre mi corazón amortajado. NUNCA TE OLVIDAREMOS, POETA! l.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

danzá!


henri toulouse lautrec

sábado, 24 de agosto de 2013

Alfredo Valenzuela Puelma


Valenzuela Puelma es calificado por historiadores y contemporáneos como un artista incomprendido de carácter temperamental, de tendencias anticlericales y conflictivo políticamente hablando, lo que en vida le valió variados problemas. Su reconocimiento como artista sólo se dio en el viejo continente puesto que Chile sus obra más famosas fueron criticadas por los miembros más conservadores de la sociedad como así también por la iglesia y los grupos feministas.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

terça-feira, 20 de agosto de 2013